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AMAZÔNIA

É nos portinhos que acontece a vida das comunidades ribeirinhas da Amazônia

  • Publicado: Sexta, 25 de Agosto de 2017, 17h23
  • Última atualização em Terça, 05 de Setembro de 2017, 17h21

A vida nesta vasta região, desprovida de rodovias e servida por raros aeroportos, acontece nas IP4, conhecidas como portinhos na intimidade da gente que depende dos rios para tocar a vida

 

Na imensidão da Amazônia, onde está a maior bacia hidrográfica do mundo, o barco dita o ritmo da vida. As embarcações são o principal meio de transporte de toda a região. Com mais de mil afluentes de diferentes tipos e cores, o Rio Amazonas conecta centenas de pequenas comunidades, cidades pequeninas, municípios maiores e grandes capitais, como Manaus e Belém. Para a gente da Amazônia, navegar é uma necessidade básica. No barco está o seu ganha-pão, o comércio que dá vida às cidades, o transporte de passageiros, a “ambulância” que leva o doente, a visita aos parentes que vivem longe, a geração de emprego e a renda das comunidades.

Para trazer conforto e segurança à vida dos ribeirinhos que se equilibravam em ripas improvisadas em pontes ligando a margem dos rios aos barcos no sobe e desce das vazantes, o Ministério dos Transportes, Portos e Aviação (MT) implantou as Instalações Portuárias Públicas de Pequeno Porte (IP4), portos instalados no Norte do país para embarcações de médio e pequeno porte. Os portinhos foram construídos e/ou melhorados, quando já existiam, pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Eles foram instituídos em fevereiro de 2015, pela Portaria Interministerial nº 24, para estruturar os terminais portuários improvisados que funcionavam nos municípios.

“Os portinhos incrementam o comércio, garantem acesso à política agrícola, saúde, segurança, educação e cultura, além de aumentar turismo na Amazônia. São obras essenciais que se refletem diretamente na qualidade das pessoas”, afirma o ministro dos Transportes, Maurício Quintella. Existem hoje 41 portinhos em pleno funcionamento na Amazônia. Estão distribuídos em municípios do Amazonas, Pará, Rondônia e Roraima. Outros 22 estão em obras e mais 30 em projeto.

O diretor-geral do DNIT, Valter Casimiro, informa que vai concluir as instalações em obras e as que estejam em fase de planejamento, além de ampliar os terminais já existentes. “A implantação das IP4 no Norte do país é uma das maiores prioridades do DNIT. A construção desses terminais resgata a dignidade da população onde os rios são as estradas, que não existem na região”, diz.

 

CAI N’ÁGUA – Adaptados à realidade da região, eles flutuam conforme os períodos da cheia e da seca dos rios que acontecem todos os anos e impactam diretamente a população. As instalações são móveis, feitas para acompanharem as vazantes e as cheias. Nos dois períodos, os portos flutuantes deixam a margem dos rios e os barcos no mesmo nível, facilitando a travessia das pessoas que antes precisavam fazer malabarismos impossíveis para idosos ou doentes, um risco para as crianças e um serviço pesado para quem transportava mercadorias.

Urucara - Danilo

 

O nome da IP4 de Porto Velho (RO), inaugurada em 2012, à margem do Rio Madeira, traduz bem o que eram as cidades ribeirinhas antes dos portinhos. Chama-se Cai n’Água. As pessoas que tomavam seus barcos ali deram-lhe o nome porque é literal. Elas estavam sujeitas a cair na água quando desciam ou subiam o barranco durante a vazante. Fora quando rolavam barranco abaixo até as águas do Madeira. Mais de 36 mil pessoas passam por ele anualmente, uma média de três mil por mês, rumo, principalmente, a localidades que ficam à margem do Madeira, como os distritos e municípios de Calama (RO), Humaitá (AM), Manicoré (AM) e Manaus (AM).

O registro abaixo, feito pelo fotógrafo Tiago Orihuela, mostra a comunidade da Cachoeirinha, às margens do Rio Branco, em Roraima. O instantâneo feito em 2015 revela o tamanho do problema porque passavam as comunidades ribeirinhas onde não havia IP4 e pelo qual ainda passam as cidades onde eles ainda não existem. À esquerda e à direita da foto, podem ser vistas as escadas precárias por onde ainda descem as pessoas de Cachoeirinha para tomar seus barcos.

Cachoeirinha

A equipe de comunicação do Ministério dos Transportes visitou algumas dessas instalações no Amazonas para mostrar a estrutura e o funcionamento destes portos, que enviam e recebem passageiros e todo tipo de encomenda, cargas e mercadorias. Na Amazônia, a vida acontece nos rios. Milhares de turistas usam o portinho da cidade para chegar ao Festival de Parintins; os doentes da pequena Uracará embarcam ali em busca de tratamento melhor em municípios maiores; e Itapiranga movimenta 80 toneladas de mercadorias por mês para si e para as comunidades próximas.

PARINTINS – Com pouco mais de 102 mil habitantes, Parintins é o segundo município mais populoso do Amazonas e a cidade com o segundo maior porto do estado. Por sua posição estratégica entre Manaus e Santarém, no Pará, o porto da cidade atende as embarcações de toda a região. Pelo porto, chegam, em média, 12 mil passageiros e 8 mil toneladas de mercadorias por mês. Mas no período de grandes eventos, como no Festival de Parintins, em junho, esse número dobra. A IP4 de Parintins é formada por uma passarela móvel de 110 metros que liga o terminal até três balsas flutuantes, de 50 metros cada.

URUCARÁ – Só é possível chegar a Urucará, localizada a cerca de 280 quilômetros de Manaus, pelos rios ou por uma pista de pouso para aviões particulares. Como sua economia é baseada na produção agrícola, tudo vem das regiões próximas, desde alimentos até produtos de higiene e limpeza e materiais de construção. O porto conta com uma rampa de concreto de 45 toneladas e uma balsa flutuante para o embarque e desembarque de cargas e passageiros. É também pelo porto que saem os pacientes do município em busca de tratamento médico de alta complexidade oferecido nas grandes cidades vizinhas, como Itacoatiara.

ITAPIRANGA – A cerca de 340 quilômetros de Manaus e com aproximadamente 9 mil habitantes, Itapiranga conecta várias comunidades próximas e, por isso, seu porto é um dos mais movimentados terminais hidroviários da região. Por lá, passam cerca de 5 mil passageiros por mês, além do fluxo de 80 toneladas no período. O porto de Itapiranga tem uma balsa principal e uma auxiliar flutuante, e o terminal conta com guarita, estacionamento para veículos, lanchonete, além de infraestrutura para o transporte rodoviário.

Saiba onde ficam as IP4 em obras e em projeto:

FOTO: Danilo Borges

Assessoria de Comunicação

Ministério dos Transportes, Portos e Aviação

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