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Pontes do Guaíba - RS

 



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Histórico


           Um dos maiores conjuntos de pontes rodoviárias de diversos tipos é o do delta do Rio Guaíba, em Porto Alegre. Este conjunto se destaca por ter representado o início do concreto protendido no sul do Brasil.

Em 1954 o DAER do Rio de Grande do Sul abriu concurso para a realização de um conjunto de obras no delta do Rio Jacuí abrangendo o Saco Alemoa, o Furado Grande e o grande Rio Guaíba, junto à cidade de Porto Alegre.

            O grande volume de obras exigia imensos recursos financeiros, os quais trouxeram muitos percalços. Por este motivo as obras se arrastaram de 1955 até 1960. 

Essas obras constituíram a única aplicação no Brasil do sistema Leonhardt de protensão que forneceu o projeto e o equipamento para execução. A construção esteve a cargo da firma Azevedo, Bastian e Castilhos.

          
Leonhardt, em artigo publicado na revista alemã Betonund Stahlbetonbau de dezembro de 1963 (1), elogia o processo de julgamento das concorrências no Brasil e menciona que o sistema deveria ser copiado na Alemanha. Naquela época (1954) era comum no Brasil o julgamento pelo qual o vencedor não era necessariamente aquele que oferecesse o menor preço e sim aquele que totalizasse o maior número de pontos. Antes do conhecimento do preço oferecido, era computado o valor do projeto segundo diversos critérios: monumentalidade, estética, criatividade, simplicidade de funcionamento, implantação no ambiente. As notas constituíam fatores com valor máximo igual a 1. No cômputo geral resultava no produto de todas as notas um número inferior a 1 que seria o denominador do preço. O quociente, maior do que o preço oferecido, seria o elemento de julgamento. Um preço baixo poderia acarretar um valor final elevado se a nota fosse baixa, perdendo para outro concorrente de preço mais elevado, porém com boa nota.

Leonhardt em seu citado artigo descreve os cinco grupos de obras daquele conjunto monumental: 

 1. mais de 2.000 de pontes de acesso para interligação da avenida marginal com a rodovia principal perpendicular a ela na continuação da ponte principal; 
 2. a ponte sobre o Rio Guaíba, que dá nome ao conjunto, com 777m de comprimento total e contém uma das raras pontes levadiças em funcionamento no Brasil ( vão de 50 a altura de levantamento de 40m).
 3. a ponte sobre o Furado Grande com comprimento total de 344m dando passagem a embarcações de pequeno porte; 
 4. a ponte sobre o Saco Alemoa com comprimento total de 774m atravessando uma baía não navegável do delta; 
 5. a ponte sobre o Rio Jacuí, braço principal do delta, com comprimento total de 1.756m e um gabarito de navegação de 50m de abertura livre por 20m de altura. 
 

 
 

O Tramo Metálico Levadiço do Rio Guaíba

O tramo metálico e todo o equipamento para sua movimentação deveriam Ter sido encomendados à firma de Karlsruhe, especialista em construções de aço J. Gollnow, que havia projetado tudo em conjunto com a firma de eletricidade AEG. Dificuldades de divisas do Brasil levaram à decisão de fabricar tudo no País. Foi contratada para isso a firma Fichet, Schwarz-Haumont, de São Paulo, que pela primeira vez iria executar uma laje ortótropa usando a técnica de soldagem. Mesmo com as grandes dificuldades iniciais a tarefa foi cumprida com sucesso.

No caso da Ponte Guaíba, como novidade as torres foram projetadas em concreto para não destoar do restante da estrutura em concreto protendido.

As torres de levantamento possuem dimensões de 4 x 4 m com superfícies arredondadas na parte externa. São peças ocas de concreto armado com 25 cm de espessura de parede e altura de 48 m acima do nível médio das águas. A posição mais elevada do tramo metálico fica à altura de 40 m e a mais baixa 13,5 m. O curso é, portanto, de 26,5 m, permitindo a passagem de barcos relativamente grandes. A distância transversal livre entre as torres é de 18,6 m e a longitudinal 51,8 m.

O equipamento de movimentação da ponte encontra-se no espaço entre as torres, abaixo da ponte. Nesse espaço existem grandes chapas enrigecedoras de concreto ligando as torres entre si e três placas de lajes que dão grande rigidez ao conjunto, garantindo o engasgamento das torres no sentido transversal.

Todo o equipamento de movimentação fica obrigado nesse espaço, tendo sido previstas grandes aberturas para entrada dos componentes metálicos. Existem também escadas tipo marinheiro para acesso dos operários à casa das máquinas, assim como aos tambores superiores onde se enrolam os cabos. O mecanismo precisa se movimentar para vencer apenas os atritos, pois todo o peso do tramo metálico é equilibrado por quatro cilindros de concreto com diâmetro de 3 m.

As fundações das torres são constituídas por 66 estacas Franki com 52 cm de diâmetro da camisa metálica. Sobre as estacas foi executado um bloco de fundação com 2 m de altura acompanhando todo o contorno das paredes e atravessado por três nervuras, visando economizar concreto.
 


 

Resumo Informativo da Ponte do Guaíba - RS

Localização Porto Alegre (RS)
Via Vicinal
Obstáculo Rio Guaíba
Inaugurada 1960
Projeto Leonhardt
Comprimento Total 777 m
Construção Firma Azevedo, Bastian e Castilhos
Fonte Livro Pontes Brasileiras Viadutos e Passarelas Notáveis - de Augusto C. Vasconcelos
Pontes e Viadutos Brasil - Autor: Mercedez Benz do Brasil  - S.A