Principal afluente do
Tocantins, o rio Araguaia nasce na serra do Caiapó, na divisa entre
Goiás e Mato Grosso, numa altitude aproximada de 850m. Corre quase
paralelamente ao Tocantins e nele desemboca, após percorrer cerca de
2.115Km, na cota de 84m.
Os 450Km compreendidos pelo Alto Araguaia apresentam um
desnível de 570m. O médio Araguaia sofre um desnível de 185m nos seus 1.505km de
extensão. O baixo Araguaia, nos seus últimos 160Km, até o foz, tem um desnível de 11m.
A ilha do Bananal é um acidente importante no rio.
Está situada, aproximadamente entre os Km 760 e 1156 e compreendida entre os dois braços
do Araguaia, possuindo uma área de cerca de 20.000 Km2. O braço menor é chamado de rio
Javaés.Trechos Navegáveis e Dificuldades Naturais à
Navegação:
Trecho confluência com Rio Tocantins a Conceição do
Araguaia
Da confluência com o Tocantins até Xambioá
(225,5Km), o rio Araguaia apresenta uma profundidade mínima de 0,90m nos períodos de
águas baixas (set/out). É um dos trechos com maiores restrições de calado. Devido às
interferências entre os regimes hidrológicos do Tocantins e do Araguaia, as definições
de níveis d'água ficam sujeitas a imprecisões, ainda que pouco significativas face às
aproximações para a definição das condições de navegabilidade.
Os calados garantidos nos 84,5Km entre a confluência
com o Tocantins a Araguatins para os diferentes períodos de navegação contínua durante
o ano, levando-se em conta os aspectos referentes à auto-dragagem, são estimados nos
seguintes valores, em condições naturais:
PERÍODO DE NAVEGAÇÃO CONTÍNUA
| Durante um ano (dias) |
347 |
270 |
180 |
120 |
90 |
| Calados garantidos (metros) |
0,9 |
1,0 |
1,4 |
2,0 |
4,0 |
Tudo indica que o local mais crítico no subtrecho
Tocantins-Xambioá é o Baixio do Surubim, entre os Km 31 e 35, onde pode haver a
necessidade de desmembramento dos comboios. Os 80Km seguintes, de Araguatins até Vila de
Santa Isabel, apesar dos aspectos hidromorfológicos semelhantes ao subtrecho da jusante,
dispõem de melhores condições de navegabilidade. As influências mútuas dos dois rios
já são menos sensíveis neste trecho, permitindo uma melhor definição da linha
d'água. Considerando-se, ainda, os fenômenos de auto-dragagem, estima-se, neste
subtrecho, os seguintes calados garantidos, em condições naturais:
PERÍODOS DE NAVEGAÇÃO CONTÍNUA
| Durante um ano (dias) |
347 |
270 |
180 |
120 |
90 |
| Calados garantidos (metros) |
1,2 |
1,3 |
1,5 |
2,2 |
4,0 |
Não há restrições quanto ao cruzamento das
embarcações, nem necessidade de desmembramento dos comboios. Seguindo 61Km para
montante, até Xambioá, tem-se a região rochosa denominada Corredeiras de Santa Isabel,
sendo a região mais acidentada, não apenas do trecho, como de toda a hidrovia. Os
pedrais aí existentes não impedem a navegação, porém, acabam por torná-la precária
nas épocas de estiagem do ano.
Com aproximadamente 14Km de extensão e um desnível
total da ordem de 13m, as Corredeiras de Santa Isabel constituem-se de uma série de
canais e rápidos, que apresentam condições de escoamento muito diferentes nas
estiagens, águas médias e altas.
As dificuldades encontradas pela navegação comercial
nestas corredeiras, devem-se, sobretudo, às velocidades das águas, pouca largura dos
canais, sinuosidade das rotas e correntes transversais, já que, de um modo geral, as
profundidades são satisfatórias. As variações dos níveis de água, nos canais da
corredeira não acompanham as verificadas a montante e a jusante, devido às numerosas
secções de controle existentes. Isto faz com que em estágios diferentes de vazão, as
condições favoráveis de navegabilidade mudem de um canal para outro.
Apresentando condições de navegação críticas,
porém, mais favoráveis que as de Santa Isabel, existem ainda neste subtrecho as
corredeiras de Santa Cruz (Km 185 a 186) e de São Miguel (Km 218,5 a 227), além do
Travessão do Chiqueirão (Km 217) que oferece restrições às embarcações de maior
boca.
Considerando-se as passagens pelas corredeiras que
apresentam menores velocidades das águas, que nem tem sempre são os trechos de maiores
profundidades, estima-se os calados garantidos, em condições naturais:
PERÍODOS DE NAVEGAÇÃO CONTÍNUA
| Durante um ano (dias) |
347 |
270 |
180 |
120 |
90 |
| Calados garantidos (metros) |
0,9 |
1,1 |
1,8 |
2,7 |
3,2 |
A construção da barragem de Santa Isabel, com a
incorporação de um sistema de eclusas, para vencer cerca de 60m do desnível a ser
criado, irá propiciar o aumento da segurança da navegação entre o baixo e o médio
Araguaia, e melhorando condições de navegabilidade em qualquer época do ano.
Entre Xambioá e Conceição do Araguaia tem-se um
trecho com 278Km, onde as condições de navegabilidade, nos 152Km de Xambioá à
localidade de Pau d'Arco (Km 405) são razoavelmente boas. Aparecem alguns travessões
rochosos profundos e vários bancos de areia que, por efeito da auto-dragarem, oferecem
passagens relativamente profundas. Nos 98Km seguintes, de Pau d'Arco a Conceição do
Araguaia (Km 503,5), ocorrem travessões rochosos rasos que, em estiagem, restringem
consideravelmente as profundidades, deixando apenas passagens estreitas e sinuosas. Por
este motivo, antes da formação do reservatório de Santa Isabel, deve-se proceder a
algumas derrocagens e ao balizamento permanente da rota de navegação, para plena
utilização do trecho. Estima-se que os calados garantidos ao longo de todo o trecho, em
condições naturais, nos anos secos, apresentam-se da seguinte forma:
PERÍODOS DE NAVEGAÇÃO CONTÍNUA
| Durante um ano (dias) |
347 |
270 |
180 |
120 |
90 |
| Calados garantidos (metros) |
0,5 |
0,7 |
1,0 |
1,5 |
2,6 |
Trecho Conceição do Araguaia a Baliza
O estirão compreendido entre Conceição do Araguaia e
Baliza, com 1.254Km, deve ser também analisado em subtrechos. No geral, possui
características típicas de rio de planície, tendo um calha maior, por onde passam as
cheias, e outra menor serpenteando dentro da primeira, por onde se escoam as vazões de
estiagem.
O subtrecho de Conceição do Araguaia e Araguacema,
com cerca de 77Km de extensão, apresenta alguns travessões rochosos (portões), que
necessitam de balizamento e propicia dificuldades. Os calados garantidos no trecho, em
condições naturais, atualmente, são indicados a seguir:
PERÍODOS DE NAVEGAÇÃO CONTÍNUA
| Durante um ano (dias) |
347 |
270 |
180 |
120 |
90 |
| Calados garantidos (metros) |
0,7 |
0,8 |
1,0 |
1,5 |
2,5 |
No subtrecho de Araguacema à Aruanã, as condições
de navegabilidade são bastante favoráveis. A declividade média é baixa (inferiores a
20cm/Km) e apresenta grandes larguras. Apesar do regime hidrológico ele se carateriza
apor apresentar numerosas ilhas e bancos de areia, que emergem nas águas baixas, de tal
forma que, nos períodos de estiagem, o leito se apresenta totalmente sinuoso em relação
ao do leito principal. Por outro lado, o leito de cheia é bastante estável, pois as
margens são, em geral, baixas e alagadiças, não sofrendo processos acentuados de
erosão.
A profundidade da via no trecho de Conceição do
Araguaia a Aruanã é estimada em 2,30m em 9 meses do ano e 0,90m no período de estiagem.
O rio Javaés, braço menor do rio Araguaia com 556Km
de extensão, constitui o limite oriental da ilha do Bananal. Acompanha as
características morfológicas já citadas e, observa-se que, durante seis meses do ano
(de janeiro a junho), o rio possui uma profundidade mínima disponível de 1,0m. É
preciso complementar os estudos na época de estiagem para definir as profundidades
disponíveis nos meses restantes. O Javaés pode se constituir numa via de grande
importância para escoar a produção das extensas áreas agricultáveis existentes na
região.
O último subtrecho, de Aruanã à baliza, apresenta,
nos seus 256Km, características morfológicas semelhantes ao trecho de jusante,
entretanto, as condições de navegabilidade são bem mais precárias. Considerações
econômicas indicam ser mais conveniente utilizar Aruanã ponto terminal da via. Os
levantamentos já realizados levaram a inferir que, durante 50% do tempo o calado
garantido é de 1,0m, entretanto, durante a estiagem, este valor decresce, dificultando o
acesso de embarcações de maior porte.
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